A imagem do negro na mídia brasileira está conformada e condicionada a certos padrões. Choca, ao ver na TV, negro(a) bem sucedido ou casado(a) com outro que não seja negro(a); causará estranheza o fato de que em uma propaganda daquele carro de luxo que é seu sonho de consumo, ao final, sair um negro da direção do mesmo, ou ainda que em momento algum você verá na Globo uma consultora de moda negra falando ao Jornal Hoje dando dicas de moda, por exemplo.
A estigmatização é tão forte no cotidiano que, ao apresentarmos um amigo nosso que seja negro, involuntariamente nos apressamos em seguida a dizer sua profissão ou sua condição ou fator que justifique nossa amizade com ele, ao passo que poderíamos dizer simplesmente "este(a) é meu amigo fulano(a)".
A tirada para o mundo dos memes da dupla de irmãos, hoje chamada de Para Nossa Alegria, reside justamente no fato de serem "engraçadamente" negros e "humildes", não menos do que isso. Essa é a condição que lhes cabe, segundo o imaginário cultural brasileiro e os comentários nos vídeos do youtube. E para ratificar isso, ou seja, confirmar com todas as letras e entrelinhas de que é isso mesmo, é assim que pensam a mídia e sua massa, lançaram novo vídeo na internet (veja aqui http://www.youtube.com/watch?v=WnYQYK94M80&feature=player_embedded ) onde letra deixa bem claro o porque disso.
O outro lado desse sintoma cultural é a de o negro não se perceber como dentro do padrão socialmente aceito para qualquer ser humano comum. A começar que, invariavelmente, um negro olhará outro negro que seja, quando estiver num restaurante, num shopping, ou passando bem vestido e altaneiramente lendo seu jornal matinal pela rua. Esse olhar, não é aquele despreocupado: é algo culturalmente involuntário e com a ponta de admiração em ver que ultrapassaram o padrão social midiático imposto. É difícil, na maioria das vezes, até mesmo as suas crianças se estabelecerem fora desse patamar pois a carga de condicionamento sobre elas é ainda maior (veja exemplo em http://www.youtube.com/watch?v=pgCkC1BultQ ).
Não escapou disso o nosso apresentador Alexandre Henderson, em entrevista no Jô Soares. O que se esperava dali, pelo fato de Alexandre apresentar um programa sobre o saber e conhecimento de alto nível, era que o papo, além do particular, transcorresse no patamar esperado para o trabalho que desenvolve. Ledo engano. O entrevistado, num arroubo de de sentimento de se "desculpar e agradecer" pelo fato de estar ali e fazer o que faz, externou em nível máximo a exaltação de que subjetiva de que "gente, sendo negro e passar por tudo que passei, tô aqui viu!", ao passo que, visivelmente frustrado por não ser mais frutífero o papo esperado e anunciado, Jô soares teve de interromper esse turbilhão e encerrar a entrevista, onde nem mesmo, na multidão de palavras do entrevistado, conseguiu ter respostas objetivas às perguntas feitas, como a qualquer um que ali vai.
Sinceramente e desoladamente, não sei e não sabemos quando isso realmente vai mudar. O ódio sobre as cotas não é sobre privilégio social, é sobre o "racial" mesmo, pois vai contra o que midiaticamente estamos propensos a ver: vê-los a pé, vê-los suando, vê-los fedendo, vê-los como empregadas domésticas, vê-los como braçais, vê-los como malandros, vê-los como perigosos e mudar de calçada e/ou segurar sua bolsa, vê-los como indesejáveis e ficar em pé mesmo que no ônibus só tenha aquele lugar ao lado dele, vê-los como sujos ao apertar a sua mão e vistoriá-la visualmente antes de apertar ou não deixar que no aperto a palma da sua encoste totalmente na dele, vê-los como intrusos num restaurante de luxo, vê-los sempre como privilegiado dentro de sua sala de aula em medicina ou direito, vê-lo como impossível diretor daquela conceituada escola onde você matriculou seus filhos.
Eu não compro mais REVISTA VEJA e nenhuma revista da Editora Abril e outros produtos ligados ao Grupo Abril. VEJA o motivo:
Grupo racista compra parte da editora Abril “revista VEJA” e justiça quer explicações.
Uma empresa que só existe no papel conseguiu a façanha de comprar parte da Editora Abril. O negócio de quase novecentos milhões de reais chamou a atenção da Receita Federal.
Confira a matéria exibida dia 17/04, terça-feira, no Jornal da Band.” Essa é a chamada da Rede Bandeirantes para uma denúncia de violação da Constituição e crime fiscal, numa operação de compra da maior editora brasileira, via grupo racista Sul Africano chamado NASPER.
A Naspers tem sua origem em 1915, quando surgiu com o nome de Nasionale Pers, um grupo nacionalista africâner (a denominação dos sul-africanos de origem holandesa, também conhecidos como bôeres, que foram derrotados pela Grã-Bretanha na guerra que terminou em 1902). Este agrupamento lançou o jornal diário Die Burger, que até hoje é líder de mercado no país. Durante décadas, o grupo, que passou a editar revistas e livros, esteve estreitamente vinculado ao Partido Nacional, a organização partidária das elites africâneres que legalizou o detestável e criminoso regime do apartheid no pós-Segunda Guerra Mundial.
Como relata Renato Pompeu, “dos quadros da Naspers saíram os três primeiros-ministros do apartheid”. O primeiro diretor do Die Burger foi D.F. Malan, que comandou o governo da África do Sul de 1948 a 1954 e lançou as bases legais da segregação racial. Já os líderes do Partido Nacional H.F. Verwoerd e P.W. Botha participaram do Conselho de Administração da Naspers. Verwoerd, que quando estudante na Alemanha teve ligações com os nazistas, consolidou o regime do apartheid, a que deu feição definitiva em seu governo, iniciado em 1958. Durante a sua gestão ocorreram o massacre de Sharpeville, a proibição do Congresso Nacional Africano (que hoje governa o país) e a prolongada condenação de Nelson Mandela.
Já P. Botha sustentou o apartheid como primeiro-ministro, de 1978 a 1984, e depois como presidente, até 1989. “Ele argumentava, junto ao governo dos Estados Unidos, que o apartheid era necessário para conter o comunismo em Angola e Moçambique, países vizinhos. Reforçou militarmente a África do Sul e pediu a colaboração de Israel para desenvolver a bomba atômica. Ordenou a intervenção de forças especiais sul-africanas na Namíbia e em Angola”. Durante seu longo governo, a resistência negra na África do Sul, que cresceu, adquiriu maior radicalidade e conquistou a solidariedade internacional, foi cruelmente reprimida – como tão bem retrata o filme “Um grito de liberdade”, do diretor inglês Richard Attenborough (1987).
Os tentáculos do apartheid
Renato Pompeu não perdoa a papel nefasto da Naspers. “Com a ajuda dos governos do apartheid, dos quais suas publicação foram porta-vozes oficiosos, ela evoluiu para se tornar o maior conglomerado da mídia imprensa e eletrônica da África, onde atua em dezenas de países, tendo estendido também as suas atividades para nações como Hungria, Grécia, Índia, China e, agora, para o Brasil. Em setembro de 1997, um total de 127 jornalistas da Naspers pediu desculpas em público pela sua atuação durante o apartheid, em documento dirigido à Comissão da Verdade e da Reconciliação, encabeçada pelo arcebispo Desmond Tutu. Mas se tratava de empregados, embora alguns tivessem cargos de direção de jornais e revistas. A própria Naspers, entretanto, jamais pediu perdão por suas ligações com o apartheid”.
Segundo documentos divulgados pela própria Naspers, em 31 de dezembro de 2005, a Editora Abril tinha uma dívida liquida de aproximadamente US$ 500 milhões, com a família Civita detendo 86,2% das ações e o grupo estadunidense Capital International, 13,8%. A Naspers adquiriu em maio último todas as ações da empresa ianque, por US$ 177 milhões, mais US$ 86 milhões em ações da família Civita e outros US$ 159 milhões em papéis lançados pela Abril. “Com isso, a Naspers ficou com 30% do capital. O dinheiro injetado, segundo ela, serviria para pagar a maior parte das dividas da editora”. Isto comprova que o poder deste conglomerado, que cresceu com a segregação racial, é hoje enorme e assustador na mídia brasileira.
Os interesses alienígenas
Mas as relações alienígenas da revista Veja não são recentes nem se dão apenas com os racistas da África do Sul. Até recentemente, ela sofria forte influência na sua linha editorial das corporações dos EUA. A Capital International, terceiro maior grupo gestor de fundos de investimentos desta potência imperialista, tinha dois prepostos no Conselho de Administração do Grupo Abril – Willian Parker e Guilherme Lins.
Em julho de 2004, esta agência de especulação financeira havia adquirido 13,8% das ações da Abril, numa operação viabilizada por uma emenda constitucional sancionada por FHC em 2002. A Editora Abril também têm vínculos com a Cisneros Group, holding controlada por Gustavo Cisneros, um dos principais mentores do frustrado golpe midiático contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. O inimigo declarado do líder venezuelano é proprietário de um império que congrega 75 empresas no setor da mídia, espalhadas pela América do Sul, EUA, Canadá, Espanha e Portugal. Segundo Gustavo Barreto, pesquisador da UFRJ, as primeiras parcerias da Abril com Cisneros datam de 1995 em torno das transmissões via satélites.
O grupo também é sócio da DirecTV, que já teve presença acionária da Abril. Desde 2000, os dois grupos se tornaram sócios na empresa resultante da fusão entre AOL e Time Warner. Ainda segundo Gustavo Barreto, “a Editora Abril possui relações com instituições financeiras como o Banco Safra e a norte-americana JP Morgan – a mesma que calcula o chamado ‘risco-país’, índice que designa o risco que os investidores correm quando investem no Brasil. Em outras palavras, ela expressa a percepção do investidor estrangeiro sobre a capacidade deste país ‘honrar’ os seus compromissos. Estas e outras instituições financeiras de peso são os debenturistas – detentores das debêntures (títulos da dívida) – da Editora Abril e de seu principal produto jornalístico. Em suma, responsáveis pela reestruturação da editora que publica a revista com linha editorial fortemente pró-mercado e anti-movimentos sociais”.
Um ninho de tucanos
Além de ser controlada por grupos estrangeiros, a Veja mantém relações estreitas com o PSDB, que é o núcleo orgânico do capital rentista, e com o PFL, que representa a velha oligarquia conservadora. Emílio Carazzai, por exemplo, que hoje exerce a função de vice-presidente de Finanças do Grupo Abril, foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo FHC. Outra tucana influente na família Civita, dona do Grupo Abril, é Claudia Costin, ministra de FHC responsável pela demissão de servidores públicos, ex-secretária de Cultura no governo de Geraldo Alckmin e atual vice-presidente da Fundação Victor Civita.
Não é para menos que a Editora Abril sempre privilegiou os políticos tucanos. Afora os possíveis apoios “não contabilizados”, que só uma rigorosa auditoria da Justiça Eleitoral poderia provar, nas eleições de 2002, ela doou R$ 50,7 mil a dois candidatos do PSDB. O deputado federal Alberto Goldman, hoje um vestal da ética, recebeu R$ 34,9 mil da influente família; já o deputado Aloysio Nunes, ex-ministro de FHC, foi agraciado com R$ 15,8 mil. Ela também depositou R$ 303 mil na conta da DNA Propaganda, a famosa empresa de Marcos Valério que inaugurou um ilícito esquema de financiamento eleitoral para Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB. Estes e outros “segredinhos” da Editora Abril ajudam a entender a linha editorial racista da revista Veja e a sua postura de opositora radical ao governo.
Vídeo acusa webcam da HP de não reconhecer rostos de pessoas negras
RIO - O sistema de reconhecimento de faces de uma nova webcam da HP não funcionaria com rostos de pessoas negras, segundo um vídeo postado no YouTube . A acusação é feita por Desi Cryer, um americano que gravou com uma colega de trabalho o vídeo que já foi visto por quase um milhão de pessoas. A webcam vem integrada em computadores recém-lançados pela HP e tem um sistema de reconhecimento de faces que faz com que ela siga os movimentos do rosto do usuário. No vídeo, Cryer mostra como a câmera fica parada quando ele move o rosto, mas funciona quando o movimento é feito por sua colega de trabalho Wanda Zamen, que é branca. " Eu acho que a minha negritude está interferindo com a capacidade do computador me seguir "
"Eu acho que a minha negritude está interferindo com a capacidade do computador me seguir", ironiza Cryer em determinado momento do vídeo. Um dia após a publicação do vídeo, a HP respondeu às críticas em seu blog oficial . A empresa agradece a Cryer e a "todos que comentaram no vídeo, por trazer o problema à nossa atenção". "A tecnologia utilizada é baseada em algoritimos que medem a diferença de contraste entre os olhos e o alto da bochecha e do nariz. Nós acreditamos que a câmera pode ter dificuldades em 'ver' o contraste em condições de pouca luz a frente do rosto". Neste link a empresa fornece informações de como configurar o aparelho. Zamen disse à CNN que ela e Cryer estavam testando um computador novo da HP no trabalho quando se depararam com a questão "racial" da webcam. Eles deram algumas risadas do problema e resolveram gravar um vídeo para compartilhar com amigos no YouTube e no Facebook e não esperavam toda a repercussão. Os dois afirmam que não pretendiam acusar a HP de racismo com a publicação do vídeo, apesar do título no YouTube ser "HP computers are racist". Zamen diz que gostou tanto da máquina que sugeriu a Cryer comprar uma para sua mulher. - Nós gravamos (o vídeo) por diversão, mas se ele fizer com que a HP tenha um produto melhor, ótimo - disse ela à CNN. VEJA O VÍDEO ABAIXO: